A sertralina é um dos antidepressivos mais utilizados no mundo, pertencente à classe dos ISRS (Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina). É prescrita para depressão, transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno do pânico e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
Neste guia, reunimos as informações mais importantes sobre o medicamento: o que ele contém, como funciona, quando é indicado, quando deve ser evitado, cuidados especiais, dosagem, uso na gravidez e amamentação, interações e efeitos colaterais.
Antes de continuar: Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a avaliação de um médico. A sertralina é um medicamento de tarja preta nunca inicie, altere ou interrompa o uso por conta própria.
O que contém a sertralina em comprimidos e como funciona?
Cada comprimido de sertralina contém o cloridrato de sertralina como princípio ativo, geralmente disponível nas dosagens de 25 mg, 50 mg e 100 mg, além de excipientes que garantem a estabilidade e absorção do comprimido revestido.
A sertralina age bloqueando seletivamente a recaptação da serotonina nos neurônios, aumentando a quantidade desse neurotransmissor disponível nas sinapses cerebrais. A serotonina está envolvida na regulação do humor, do sono, do apetite e da ansiedade — por isso o aumento da sua disponibilidade ajuda a estabilizar esses sistemas ao longo do tratamento.
O efeito da sertralina não é imediato: a melhora dos sintomas costuma começar entre a 2ª e 4ª semana, com efeito pleno em até 6 a 8 semanas de uso contínuo.
Quando usar sertralina
A sertralina é indicada pelo médico para o tratamento de:
- Depressão maior (episódio único ou recorrente)
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
- Transtorno do Pânico, com ou sem agorafobia
- Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), em adultos e crianças a partir de 6 anos
- Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
- Fobia Social (Transtorno de Ansiedade Social)
- Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM)
Por que a sertralina é tão usada?
- Perfil de segurança bem estabelecido, com décadas de uso clínico
- Baixo potencial de interação em comparação a outros antidepressivos
- Não causa dependência física
- Pode ser usada em diferentes faixas etárias, incluindo adolescentes em indicações específicas
Quando não usar sertralina
A sertralina é contraindicada nas seguintes situações:
- Uso concomitante ou recente de IMAO (inibidores da monoaminoxidase) é necessário um intervalo mínimo de 14 dias entre a suspensão de um e o início do outro, pelo risco de síndrome serotoninérgica grave.
- Uso concomitante de pimozida — combinação contraindicada por risco cardíaco.
- Alergia conhecida à sertralina ou a qualquer componente da fórmula.
- Solução oral de sertralina em uso com dissulfiram (devido ao teor de álcool da solução não se aplica aos comprimidos).
Importante: A combinação de sertralina com IMAO pode ser fatal. Sempre informe ao médico todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você utiliza antes de iniciar o tratamento.
Quando você deve ter cuidado redobrado ao usar sertralina
Alguns grupos e condições exigem acompanhamento médico mais próximo:
- Crianças, adolescentes e adultos até 24 anos: risco discretamente aumentado de pensamentos suicidas nas primeiras semanas de tratamento ou após mudanças de dose.
- Histórico de transtorno bipolar: antidepressivos podem precipitar um episódio de mania caso usados sem estabilizador de humor associado.
- Doença hepática: a sertralina é metabolizada no fígado e pode exigir ajuste de dose.
- Epilepsia ou histórico de convulsões: requer monitoramento, pois pode reduzir o limiar convulsivo.
- Glaucoma de ângulo estreito: ISRS podem, em casos raros, provocar midríase (dilatação pupilar) e agravar o quadro.
- Idosos: maior risco de hiponatremia (queda do sódio no sangue), que pode causar confusão, fraqueza e quedas.
- Uso de anticoagulantes (varfarina, AAS): a sertralina pode aumentar o risco de sangramentos.
- Gestação no terceiro trimestre: pode haver síndrome de adaptação neonatal transitória no recém-nascido.
Dosagem de sertralina
A dose deve ser sempre individualizada pelo médico, mas as referências gerais de uso em adultos são:
| Indicação | Dose inicial | Dose de manutenção usual |
|---|---|---|
| Depressão | 50 mg/dia | 50–200 mg/dia |
| Transtorno do Pânico / TEPT / Fobia Social | 25 mg/dia (primeira semana) | 50–200 mg/dia |
| TOC | 50 mg/dia | 50–200 mg/dia |
| TOC em crianças (6–12 anos) | 25 mg/dia | Ajustado pelo médico |
O medicamento pode ser tomado com ou sem alimentos, mas tomar junto às refeições reduz o risco de náusea. Os ajustes de dose costumam ser feitos em intervalos de pelo menos uma semana, sempre sob orientação médica.
Nunca ajuste a dose por conta própria. Aumentar ou diminuir sem orientação pode causar tanto perda de eficácia quanto efeitos colaterais mais intensos.
Sertralina pode ser usada na gravidez e amamentação?
O uso de sertralina na gestação deve ser sempre decidido em conjunto entre o psiquiatra e o obstetra, avaliando os riscos de manter ou suspender o tratamento. Interromper abruptamente o antidepressivo durante a gravidez pode ser mais arriscado, em muitos casos, do que manter o tratamento já que a recaída de depressão ou ansiedade grave também traz riscos à gestante e ao bebê.
Em relação à amamentação, a sertralina é considerada uma das opções com menor passagem para o leite materno entre os ISRS, sendo frequentemente a primeira escolha quando o antidepressivo é necessário durante essa fase. Ainda assim, o acompanhamento pediátrico do bebê deve ser mantido.
A decisão de uso na gravidez e amamentação não é sobre "arriscar ou não" é sobre comparar os riscos do tratamento com os riscos de deixar a condição não tratada.
Posso usar outros medicamentos em paralelo?
Algumas combinações exigem atenção especial e devem sempre ser informadas ao médico antes de iniciar ou associar qualquer substância:
Interações que exigem cautela
- Outros antidepressivos ou triptanos (para enxaqueca): risco aumentado de síndrome serotoninérgica.
- Anti-inflamatórios (AINEs) e anticoagulantes: maior risco de sangramentos gastrointestinais.
- Benzodiazepínicos: geralmente seguros em associação, mas a combinação deve ser supervisionada.
- Tramadol e outros opioides: risco aumentado de síndrome serotoninérgica e redução do limiar convulsivo.
- Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum) e outros fitoterápicos: podem potencializar efeitos serotoninérgicos.
- Álcool: não é uma contraindicação absoluta, mas pode intensificar sonolência e prejudicar o julgamento; o ideal é evitar ou moderar bastante.
Quais efeitos colaterais podem ocorrer ao usar sertralina?
A maioria dos efeitos colaterais é transitória e tende a diminuir nas primeiras semanas de tratamento, à medida que o organismo se adapta aos novos níveis de serotonina.
Efeitos mais comuns
- Náusea e desconforto gastrointestinal
- Insônia ou, em alguns casos, sonolência
- Dor de cabeça
- Boca seca e sudorese
- Tremores finos
- Diarreia
Efeitos que podem persistir
- Disfunção sexual (redução da libido, dificuldade de orgasmo, disfunção erétil) deve ser conversada abertamente com o médico, pois existem estratégias de manejo.
- Alterações de peso a longo prazo, variáveis entre pacientes
Efeitos raros que exigem atenção médica imediata
- Síndrome serotoninérgica (agitação, febre, tremores intensos, batimentos cardíacos acelerados)
- Reações alérgicas graves
- Hiponatremia, especialmente em idosos (confusão, fraqueza, dor de cabeça intensa)
- Pensamentos de autolesão, sobretudo em jovens no início do tratamento ou após mudança de dose
Nunca interrompa a sertralina abruptamente. A suspensão repentina pode causar síndrome de descontinuação tontura, sensação de "choques" na cabeça, irritabilidade e mal-estar. A retirada deve ser sempre gradual e orientada pelo médico.
Está pensando em iniciar ou já usa sertralina?
Cada organismo responde de forma diferente à medicação. Nossa equipe de psiquiatria pode avaliar seu histórico, ajustar o tratamento com segurança e esclarecer todas as suas dúvidas.
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