Quetiapina: para que serve, efeitos colaterais e cuidados no uso
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Quetiapina: para que serve, efeitos colaterais e cuidados no uso

Um panorama educativo sobre a quetiapina, antipsicótico atípico usado em quadros como esquizofrenia e transtorno bipolar: indicações gerais, efeitos colaterais comuns e cuidados a observar durante o tratamento.

Dr. Bruno Hees Toews· CRM-SP 167551
26 de agosto de 20266 min de leitura

A quetiapina é um medicamento de uso bastante comum na psiquiatria, mas ainda cercado de dúvidas por parte de quem recebe uma prescrição ou conhece alguém que a utiliza. Este texto tem caráter educativo e reúne informações gerais sobre o que é a quetiapina, para que costuma ser indicada, como costuma ser utilizada, quais efeitos colaterais podem ocorrer e quais cuidados merecem atenção. As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação de um médico, que é quem pode analisar o histórico de saúde de cada pessoa e definir a conduta mais adequada para o caso individual.

O que é a quetiapina e para que é indicada

A quetiapina pertence à classe dos antipsicóticos atípicos (também chamados de antipsicóticos de segunda geração). Esses medicamentos atuam principalmente sobre receptores cerebrais de dopamina e serotonina, o que ajuda a modular sintomas relacionados a alterações do pensamento, do humor e da percepção.

De acordo com a bula aprovada por agências regulatórias e com notas técnicas do Ministério da Saúde, a quetiapina é indicada, de forma geral, para:

  • Esquizofrenia, em adultos e, em alguns contextos, adolescentes;

  • Episódios de mania associados ao transtorno afetivo bipolar, isoladamente ou em associação com outros medicamentos;

  • Episódios de depressão associados ao transtorno afetivo bipolar;

  • Uso adjuvante (complementar) no transtorno depressivo maior, em situações específicas definidas pelo médico responsável.

Em alguns contextos clínicos, a quetiapina também pode ser utilizada fora dessas indicações originais — o chamado uso off-label por exemplo para auxiliar no manejo de insônia associada a outros quadros. Esse tipo de uso deve ser sempre decidido e acompanhado por um médico, considerando os riscos e benefícios de cada situação, já que não representa uma indicação padrão do medicamento.

É importante destacar que a presença desses usos gerais não significa que a quetiapina seja indicada para qualquer pessoa com sintomas de ansiedade, insônia ou alterações de humor. A avaliação profissional é o que determina se, quando e como um antipsicótico deve compor o tratamento.

Como o medicamento costuma ser utilizado

A quetiapina está disponível em formulações de liberação imediata e de liberação prolongada, e existe em diferentes dosagens. A forma de administração, os horários e a dose variam bastante conforme a condição tratada, a resposta da pessoa ao tratamento e a presença de outras doenças ou medicamentos em uso por isso não há uma dose padrão que sirva de referência geral, e o ajuste é sempre individualizado pelo médico assistente.

Em geral, o início do tratamento costuma ser feito com doses mais baixas, aumentadas de forma gradual conforme orientação médica, justamente para observar a tolerância e reduzir o risco de efeitos colaterais como sonolência excessiva e queda de pressão arterial. A suspensão do medicamento também costuma ser feita de forma gradual, e não deve ser decidida sem orientação profissional, pois a interrupção abrupta pode estar associada a sintomas de rebote ou piora do quadro original.

Efeitos colaterais mais comuns

Como qualquer medicamento, a quetiapina pode causar efeitos indesejados, que variam em frequência e intensidade entre as pessoas. Entre os efeitos colaterais mais relatados em bulas e estudos estão:

  • Sonolência ou sensação de sedação, especialmente no início do tratamento ou após aumento de dose;

  • Tontura e hipotensão ortostática (queda de pressão ao levantar rapidamente);

  • Boca seca;

  • Constipação intestinal;

  • Ganho de peso e alterações metabólicas, como aumento de glicose, colesterol e triglicerídeos;

  • Alterações no apetite, mais comuns em crianças e adolescentes em uso do medicamento.

Por esse motivo, o acompanhamento médico costuma incluir, ao longo do tratamento, a avaliação periódica de peso, pressão arterial e exames laboratoriais relacionados ao metabolismo, permitindo identificar precocemente eventuais alterações e ajustar a conduta quando necessário.

Sinais de alerta que justificam contato com o médico

Alguns sinais e sintomas, embora menos frequentes, merecem atenção redobrada e comunicação rápida com o profissional que acompanha o tratamento ou busca por atendimento médico. Entre eles estão:

  • Febre alta, rigidez muscular importante, confusão mental e sudorese intensa, que podem sugerir uma reação rara, porém grave, associada a antipsicóticos;

  • Palpitações, desmaios ou sensação de batimentos cardíacos irregulares;

  • Movimentos involuntários incomuns, especialmente de face, língua ou membros;

  • Sinais de infecção como febre e dor de garganta persistente, já que alterações raras nas células de defesa do sangue foram descritas com o uso de antipsicóticos;

  • Mudanças significativas de humor, surgimento de pensamentos de autolesão ou piora importante do quadro emocional, principalmente em crianças, adolescentes e adultos jovens no início do tratamento, período em que a atenção da equipe de saúde costuma ser reforçada.

Diante de qualquer um desses sinais, a orientação geral é procurar avaliação médica o quanto antes, em vez de tentar interpretar ou conduzir a situação sem apoio profissional.

Interações e cuidados gerais

A quetiapina apresenta potencial de interação com diversas substâncias e situações que merecem cuidado geral:

  • Álcool: o consumo de bebidas alcoólicas pode intensificar a sedação e os efeitos sobre a coordenação motora e o raciocínio, aumentando o risco de quedas e acidentes. Por isso, costuma-se recomendar evitar ou reduzir bastante o consumo de álcool durante o tratamento, conforme orientação médica.

  • Outros medicamentos sedativos: o uso conjunto com benzodiazepínicos, alguns anti-histamínicos ou outros depressores do sistema nervoso central pode potencializar a sonolência e exigir avaliação cuidadosa do médico.

  • Medicamentos que afetam o metabolismo hepático: alguns fármacos podem alterar os níveis de quetiapina no organismo, tornando necessário ajuste de dose por parte do médico responsável.

  • Atividades que exigem atenção: devido à possibilidade de sonolência e tontura, recomenda-se cautela ao dirigir veículos ou operar máquinas até que se conheça como o corpo reage ao medicamento.

  • Condições de saúde preexistentes: pessoas com histórico de doenças cardíacas, diabetes, alterações de colesterol ou triglicerídeos, além de idosos, costumam necessitar de acompanhamento mais próximo durante o uso do medicamento.

Também é importante informar ao médico sobre todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos em uso, além de gestação, tentativa de gravidez ou amamentação, para que a equipe de saúde possa avaliar riscos e benefícios de forma individualizada.

Considerações finais

A quetiapina é um medicamento amplamente estudado e utilizado em diferentes contextos da psiquiatria, mas, como qualquer antipsicótico, seu uso envolve benefícios e riscos que precisam ser avaliados de forma individual. As informações apresentadas aqui têm finalidade educativa e informativa, servindo como um panorama geral sobre o tema elas não substituem a consulta, o diagnóstico e a prescrição de um médico, que é o profissional habilitado para avaliar cada pessoa em sua singularidade. Diante de dúvidas sobre início, ajuste ou suspensão do tratamento, ou diante de qualquer sintoma que cause preocupação, a orientação é sempre buscar avaliação profissional qualificada.

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