A venlafaxina é um antidepressivo que pertence à classe dos inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN). É um dos medicamentos mais prescritos em psiquiatria para o tratamento do transtorno depressivo maior e de alguns transtornos de ansiedade, sempre como parte de um plano terapêutico definido e acompanhado por médico. Este texto tem caráter educativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico e a prescrição de um profissional de saúde.
Para que serve a venlafaxina
De acordo com a bula oficial aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o cloridrato de venlafaxina é indicado para o tratamento da depressão, incluindo quadros associados a sintomas de ansiedade, e para a prevenção de recaída e recorrência depressiva. O medicamento também é indicado para o transtorno de ansiedade generalizada (inclusive em tratamento de longo prazo), para o transtorno de ansiedade social (fobia social) e para o transtorno do pânico.
Por atuar sobre dois neurotransmissores relacionados à regulação do humor a serotonina e a noradrenalina , a venlafaxina é classificada como um antidepressivo de ação dual. Segundo informações do Hospital Israelita Albert Einstein, esse mecanismo aumenta a disponibilidade dessas substâncias no sistema nervoso central, contribuindo para a regulação do humor, da ansiedade, do sono e da resposta emocional ao estresse. A decisão sobre qual medicamento é apropriado, em que situação e por quanto tempo, cabe exclusivamente ao médico responsável, com base na avaliação clínica de cada pessoa.
Efeitos colaterais mais comuns
Como qualquer medicamento, a venlafaxina pode causar efeitos adversos, que costumam ser mais intensos nas primeiras semanas de uso e tendem a diminuir com o tempo, embora isso varie de pessoa para pessoa. Segundo a bula do produto, os efeitos considerados muito comuns (que podem afetar mais de 1 em cada 10 pessoas) incluem:
Insônia e alterações do sono
Dor de cabeça
Tontura
Sonolência
Náusea
Boca seca
Prisão de ventre
Sudorese excessiva
Também são descritos com frequência, embora em proporção menor, diminuição do apetite, tremores, alterações do paladar, alterações visuais, mudanças na frequência cardíaca, elevação da pressão arterial, diarreia, vômitos, alterações urinárias, disfunção sexual (incluindo diminuição da libido e dificuldade para atingir o orgasmo), fadiga e variação de peso. O Hospital Israelita Albert Einstein também cita a diminuição da libido e as dificuldades sexuais como queixas relativamente frequentes durante o tratamento.
Efeitos menos frequentes, porém relevantes
Reações incomuns ou raras também constam da bula e merecem atenção, ainda que ocorram em uma parcela pequena das pessoas em tratamento. Entre elas estão confusão mental, alucinações, episódios de desmaio, sangramentos gastrointestinais, reações alérgicas graves, convulsões e alterações no funcionamento do fígado. Qualquer sintoma novo, incomum ou intenso durante o uso da venlafaxina deve ser comunicado ao médico assistente o quanto antes, para que ele avalie a necessidade de ajustes na conduta.
Cuidados no uso da venlafaxina
A venlafaxina é um medicamento sob prescrição médica e não deve ser iniciada, ajustada ou interrompida por conta própria. Alguns cuidados descritos na bula e reforçados por fontes médicas incluem:
Não deve ser usada em associação com inibidores da monoaminoxidase (IMAO), combinação que pode provocar reações graves; geralmente é necessário um intervalo de segurança entre a suspensão de um medicamento e o início do outro, sempre definido pelo médico.
É contraindicada em menores de 18 anos, segundo a bula do produto.
Pessoas com problemas renais, hepáticos, cardíacos ou com pressão intraocular elevada precisam de avaliação e acompanhamento médico mais cuidadosos.
O consumo de bebidas alcoólicas durante o tratamento deve ser evitado.
A pressão arterial deve ser monitorada regularmente ao longo do tratamento, já que o medicamento pode causar elevação da pressão em algumas pessoas.
Até que se saiba como o organismo reage ao medicamento, é recomendável cautela ao dirigir veículos ou operar máquinas, pois a venlafaxina pode causar tontura ou sonolência.
O uso combinado com outros medicamentos que afetam a serotonina incluindo outros antidepressivos e alguns antipsicóticos pode aumentar o risco de síndrome serotoninérgica, uma condição rara, mas potencialmente grave.
Medicamentos que interferem na coagulação, quando usados junto com a venlafaxina, podem aumentar o risco de sangramentos.
Na gestação e na amamentação, o uso da venlafaxina exige avaliação individualizada pelo médico, que deve ponderar riscos e benefícios: a bula do medicamento cita risco aumentado de pré-eclâmpsia e de hemorragia pós-parto associado ao uso na gravidez, além de passagem do fármaco para o leite materno. Essas decisões nunca devem ser tomadas sem orientação profissional.
Atenção especial no início do tratamento
Nas primeiras semanas de uso, e também em qualquer mudança de dose, é importante que o paciente, familiares ou cuidadores fiquem atentos ao surgimento de sintomas como ansiedade intensa, agitação, ataques de pânico, insônia, irritabilidade ou outras mudanças de comportamento incomuns, informando o médico assistente caso isso ocorra. Esse acompanhamento próximo faz parte do uso seguro de qualquer antidepressivo e é um dos motivos pelos quais o tratamento deve ser sempre supervisionado por um profissional.
Por que a suspensão não deve ser feita por conta própria
Um dos pontos mais importantes sobre a venlafaxina é que ela não deve ser interrompida de forma abrupta. A suspensão repentina está associada ao chamado quadro de descontinuação, que pode incluir sintomas como tontura, sensações elétricas na cabeça, insônia, ansiedade, irritabilidade e, em casos descritos na literatura, convulsões. Por isso, quando a suspensão do tratamento é indicada, ela costuma ser feita de forma gradual, com redução progressiva da dose conforme orientação médica nunca por decisão própria do paciente, ainda que os sintomas depressivos ou ansiosos pareçam controlados.
Considerações finais
A venlafaxina é um recurso terapêutico estabelecido no tratamento de quadros depressivos e de determinados transtornos de ansiedade, mas, como qualquer antidepressivo, seu uso envolve benefícios e riscos que precisam ser avaliados individualmente. As informações reunidas aqui têm finalidade exclusivamente educativa e não configuram indicação de tratamento, diagnóstico ou orientação de dose para qualquer pessoa. A avaliação do quadro clínico, a decisão sobre iniciar ou não o medicamento, a definição da dose e o eventual processo de suspensão devem ser sempre conduzidos por um médico, de preferência psiquiatra, que poderá acompanhar a resposta ao tratamento e ajustar a conduta conforme a necessidade de cada paciente.








