Saúde auditiva: sinais de perda auditiva que costumam ser ignorados
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Saúde auditiva: sinais de perda auditiva que costumam ser ignorados

Conheça os sinais precoces de perda auditiva que costumam passar despercebidos, os principais fatores de risco e quando buscar avaliação especializada.

Dr. Bruno Hees Toews· CRM-SP 167551
24 de agosto de 20265 min de leitura

A perda auditiva costuma se instalar de forma tão gradual que, na maioria das vezes, passa despercebida por quem a vivencia. Diferentemente de uma dor aguda ou de um sintoma súbito, a redução da capacidade de ouvir se desenvolve ao longo de meses ou anos, e o cérebro vai se adaptando a essa mudança silenciosa. O resultado é que muitas pessoas só percebem o problema quando ele já afeta a comunicação no dia a dia, ou quando alguém próximo chama atenção para isso.

Entender quais sinais merecem atenção e quais fatores aumentam o risco de perda auditiva é um passo importante para buscar avaliação profissional em tempo hábil. Esta orientação tem caráter educativo e geral: ela não substitui a avaliação de um médico ou de um fonoaudiólogo, que são os profissionais capacitados para investigar cada caso individualmente.

Por que a perda auditiva costuma passar despercebida

Na maior parte dos casos, a perda auditiva relacionada à idade ou à exposição a ruído se desenvolve de forma progressiva, afetando primeiro as frequências mais agudas. Como essa perda é gradual, o cérebro se ajusta ao longo do tempo, preenchendo lacunas e compensando parte da dificuldade — o que torna o próprio problema mais difícil de notar. Por isso, os sinais de alerta costumam ser sutis no início e se tornam mais evidentes apenas quando a perda já avançou.

Sinais que merecem atenção

Alguns sinais são frequentemente relatados por pessoas com dificuldade auditiva, ainda que nem sempre sejam percebidos como tal:

  • Dificuldade para entender conversas em ambientes com ruído de fundo, como restaurantes ou reuniões em grupo.
  • Necessidade frequente de pedir que outras pessoas repitam o que disseram.
  • Aumento progressivo do volume da televisão, do rádio ou de dispositivos móveis, muitas vezes notado por familiares antes da própria pessoa.
  • Sensação de que os sons estão abafados, distorcidos ou pouco nítidos.
  • Zumbido no ouvido (percepção de chiado, apito ou zunido sem uma fonte sonora externa).
  • Cansaço ou esforço perceptível após conversas prolongadas, resultado do esforço extra que o cérebro faz para compreender a fala.
  • Tendência a evitar situações sociais em que a comunicação fica mais difícil.

A presença isolada de um desses sinais não significa necessariamente perda auditiva, mas a recorrência de vários deles, especialmente quando notada por pessoas próximas, é um bom motivo para buscar avaliação especializada.

Fatores de risco associados à perda auditiva

Diversos fatores podem aumentar a probabilidade de desenvolver perda auditiva ao longo da vida. Entre os mais reconhecidos estão a exposição repetida a sons muito altos, seja no ambiente de trabalho, seja em atividades recreativas como shows, uso de fones em volume elevado ou uso de ferramentas ruidosas; o avanço da idade, já que a perda auditiva relacionada à idade é uma das formas mais comuns em adultos mais velhos; histórico de infecções de ouvido ou de traumatismos na região craniana; uso de determinados medicamentos com potencial ototóxico, ou seja, que podem afetar a audição como efeito colateral; e a presença de condições como diabetes e doenças cardiovasculares, que podem comprometer a irrigação sanguínea das estruturas do ouvido interno.

A combinação de mais de um desses fatores tende a aumentar o risco, o que reforça a importância de conversar com um profissional de saúde sobre o histórico pessoal e os hábitos de exposição a ruído.

Perda auditiva induzida por ruído: um risco em grande parte evitável

Entre os tipos de perda auditiva, a induzida por ruído se destaca por ser considerada amplamente evitável. Sons de até cerca de 70 decibéis, mesmo com exposição prolongada, tendem a não causar dano auditivo — uma conversa normal, por exemplo, fica na faixa de 60 a 70 decibéis. Já a exposição repetida ou prolongada a sons acima de 85 decibéis pode, ao longo do tempo, lesar as células sensoriais do ouvido interno. Ambientes como shows e casas de espetáculo costumam ultrapassar essa marca, chegando a valores entre 94 e 110 decibéis.

Medidas simples de proteção auditiva podem reduzir bastante esse risco: usar protetores auriculares em ambientes muito ruidosos, manter distância de caixas de som e equipamentos barulhentos, moderar o volume e o tempo de uso de fones de ouvido, e fazer pausas em ambientes silenciosos após exposição a ruído intenso.

Uma questão de saúde pública

Organismos internacionais de saúde vêm alertando para o crescimento da perda auditiva como problema de saúde pública. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que, até 2050, cerca de 1 em cada 4 pessoas no mundo poderá conviver com algum grau de perda auditiva, e uma parcela expressiva desses casos vai necessitar de acesso a cuidados auditivos e serviços de reabilitação. Em crianças, boa parte dos casos pode ser prevenida com medidas como imunização contra rubéola e meningite e atenção adequada à saúde materno-neonatal; em adultos, o cuidado com a exposição a ruído e a busca por avaliação precoce seguem sendo as estratégias mais relevantes.

Quando procurar avaliação profissional

Diante da presença recorrente de sinais como dificuldade de compreensão em ambientes ruidosos, necessidade de aumentar o volume de aparelhos eletrônicos, zumbido persistente ou sensação de sons abafados, o recomendado é procurar avaliação com médico otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo. A avaliação clínica, que pode incluir exames como a audiometria, permite identificar o grau e o tipo de perda auditiva e orientar a conduta mais adequada para cada situação, que pode envolver desde mudanças de hábito até o uso de dispositivos auditivos, sempre definidos de forma individualizada pelo profissional responsável.

Adultos a partir dos 50 anos, pessoas expostas cronicamente a ambientes ruidosos e quem já apresenta algum dos sinais descritos acima podem se beneficiar de triagens auditivas periódicas, mesmo na ausência de queixas evidentes, já que a identificação precoce tende a favorecer um manejo mais eficaz ao longo do tempo.

Cuidar da saúde auditiva envolve tanto a atenção aos primeiros sinais quanto a adoção de hábitos de proteção no dia a dia. Reconhecer que a audição pode mudar de forma gradual, e que isso nem sempre é percebido de imediato, é o primeiro passo para buscar orientação profissional no momento adequado.

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