Aquelas veias azuladas ou arroxeadas que aparecem nas pernas são uma das queixas mais comuns nos consultórios de medicina de família e também uma das mais subestimadas. Muita gente convive com varizes por anos sem saber se precisam de tratamento ou se é apenas uma questão estética.
A resposta depende de vários fatores: o tipo de veia afetada, os sintomas associados e o grau de comprometimento da circulação. Neste artigo, vamos explicar quando as varizes são um sinal de alerta que exige atenção médica e quando podem ser acompanhadas com medidas conservadoras.
Importante: Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui avaliação médica. Apenas um profissional pode determinar o grau da insuficiência venosa e indicar o tratamento adequado.
O que são varizes, afinal?
Varizes são veias que perderam a capacidade de transportar o sangue de volta ao coração de forma eficiente. As válvulas internas dessas veias que funcionam como pequenas comportas ficam incompetentes, permitindo que o sangue reflua e se acumule. Com o acúmulo, a parede da veia se dilata, fica tortuosa e passa a ser visível sob a pele.
Esse processo se chama insuficiência venosa crônica, e pode variar de algo completamente assintomático a um quadro com complicações sérias, dependendo do calibre das veias envolvidas e do tempo de evolução.
Nem toda veia visível é uma variz problemática e nem toda variz problemática é visível a olho nu. O que define a gravidade é a função, não apenas a aparência.
Tipos de varizes: da estética ao risco real
Entender a classificação ajuda a calibrar a preocupação correta:
Telangiectasias (vasinhos)
São os famosos "vasinhos" vermelhos, roxos ou azulados com menos de 1 mm de diâmetro. Aparecem com frequência nas coxas, joelhos e tornozelos. Em geral, não representam risco à saúde e têm impacto principalmente estético. Raramente causam sintomas, mas podem ser sinal de insuficiência venosa subjacente quando surgem em grande quantidade.
Veias reticulares
Veias de calibre intermediário (1 a 3 mm), de coloração azul-esverdeada, que ficam sob a pele mas raramente se projetam. Geralmente assintomáticas, mas podem causar ardência ou prurido localizado em alguns casos.
Varizes tronculares
São as varizes clássicas veias dilatadas, tortuosas, visíveis e palpáveis, com mais de 3 mm de diâmetro. Essas exigem avaliação médica. Quando afetam a veia safena magna ou parva (os principais troncos venosos da perna), indicam insuficiência venosa com comprometimento funcional real.
Como identificar o tipo pelo que você vê
- Vasinhos finos vermelhos ou roxos: telangiectasias principalmente estético
- Veias azuladas sob a pele, planas: veias reticulares acompanhar
- Veias salientes, tortuosas, endurecidas: varizes tronculares avaliar com médico
- Inchaço na panturrilha ou tornozelo + veias visíveis: sinal de alerta importante
- Pele escurecida, ressecada ou ferida perto do tornozelo: busque avaliação imediata
Quando as varizes são um problema de saúde?
A presença de varizes não é, por si só, uma emergência. Mas alguns sinais indicam que a insuficiência venosa está progredindo e que ignorar pode trazer consequências sérias:
Sintomas que merecem atenção médica
- Dor em peso ou cansaço nas pernas que piora ao longo do dia e melhora com elevação dos membros
- Inchaço (edema) persistente nos tornozelos e panturrilhas, especialmente ao final do dia
- Queimação, formigamento ou câimbras noturnas frequentes nas pernas
- Coceira intensa sobre as varizes pode indicar inflamação da parede venosa (varicoflebite)
- Endurecimento ou dor súbita em uma veia sinal de tromboflebite superficial
- Alterações na pele: escurecimento (lipodermatoesclerose), eczema venoso ou ressecamento ao redor do tornozelo
- Ferida que não cicatriza perto do tornozelo úlcera venosa, uma complicação séria
Atenção: Dor intensa, vermelhidão e inchaço repentino em uma perna — especialmente após viagem longa ou imobilização podem indicar trombose venosa profunda (TVP). Procure pronto-socorro imediatamente. Essa condição exige tratamento urgente.
Fatores de risco: quem tem mais chance de desenvolver varizes?
Varizes têm forte componente genético, mas o estilo de vida influencia muito a progressão. Os principais fatores de risco são:
- Hereditariedade: ter pais ou irmãos com varizes aumenta significativamente o risco
- Sexo feminino: hormônios femininos especialmente progesterona relaxam as paredes venosas; gravidez amplifica esse efeito
- Gravidez: o aumento do volume sanguíneo e a pressão do útero sobre as veias pélvicas sobrecarregam o sistema venoso
- Trabalho em pé ou sentado por longos períodos: professores, cabeleireiros, cirurgiões e profissionais de escritório estão entre os mais afetados
- Obesidade: aumenta a pressão intra-abdominal e dificulta o retorno venoso
- Sedentarismo: a musculatura da panturrilha funciona como uma "bomba" que impulsiona o sangue de volta ao coração sem movimento, essa bomba fica ineficiente
- Idade: as válvulas venosas se desgastam com o tempo
Prevenção: o que realmente funciona
Para quem tem predisposição, a prevenção é mais eficaz do que qualquer tratamento futuro. As medidas com maior evidência são:
Movimentação regular
Caminhada, natação e ciclismo são os exercícios mais indicados ativam a bomba muscular da panturrilha e melhoram o tônus venoso. Mesmo quem trabalha sentado pode fazer exercícios simples de flexão do tornozelo durante o dia.
Elevação das pernas
Elevar as pernas acima do nível do coração por 15 a 30 minutos, uma a duas vezes ao dia, facilita o retorno venoso e reduz o edema. É uma medida simples com impacto real em casos leves e moderados.
Meias de compressão
Indicadas principalmente para quem já tem varizes ou passa longos períodos em pé. A compressão graduada ajuda as veias a transportar o sangue de volta e alivia sintomas como peso e inchaço. A pressão adequada deve ser orientada pelo médico.
Controle do peso
Reduzir o excesso de peso diminui a pressão sobre o sistema venoso e retarda a progressão das varizes existentes.
Cuidados posturais
Evitar cruzar as pernas por longos períodos, não usar roupas muito justas na região inguinal e preferir calçados com salto baixo (2 a 3 cm) em vez de saltos altos ou sapatos completamente planos.
🧦 Dica prática: meia de compressão no dia a dia
Vista a meia antes de sair da cama, ainda deitado é quando as veias ainda estão menos dilatadas e a meia entra com mais facilidade. Procure orientação médica para saber a classe de compressão adequada ao seu caso.
Opções de tratamento
Quando o tratamento é indicado, as opções variam conforme o tipo e o grau das varizes:
| Tipo de variz | Tratamento principal | Observação |
|---|---|---|
| Telangiectasias (vasinhos) | Escleroterapia, laser estético | Indicação principalmente estética |
| Veias reticulares | Escleroterapia com espuma | Boa resposta com baixa invasividade |
| Varizes tronculares | Ablação endovenosa (laser ou radiofrequência), cirurgia | Avaliação com eco-Doppler necessária |
| Insuficiência venosa com úlcera | Tratamento cirúrgico + curativo especializado | Encaminhamento urgente ao especialista |
O médico de família é o ponto de partida ideal para essa avaliação. Ele pode estadiar a insuficiência venosa, solicitar o eco-Doppler venoso quando necessário e encaminhar ao angiologista ou cirurgião vascular nos casos mais avançados.
Está em dúvida se suas varizes precisam de tratamento?
Na HiON Med, nosso time de medicina de família faz a avaliação completa, orienta sobre prevenção e, quando necessário, encaminha para o especialista certo. Não espere as complicações aparecerem para buscar ajuda.
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